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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Apple: Esperança!

Apple cansou de procurar. Cansou de esperar algo de alguém. Hoje ela sabe que se pretende ser feliz, não pode esperar que necessariamente, seja ao lado de alguém, ou que não necessariamente, precise de duas pessoas para isso. Após tantos namoros, tantas paixões, tantas quedas, ela sabe que nada é como antigamente. Os primeiros romances eram mais tórridos, porém, ainda tendo mais idade hoje, conseguiu ter um bem quente. Mas não importa mais a idade que se aparenta ter, ou a que se tem, mas a que sente ter. Apple sente ter mais de quarenta, e isso acaba à atrapalhando muito.
Seus amigos de idades diferentes sempre tentam lhe animar, e por mais que ela disfarçe, as vezes alguns percebem que existe algo errado. Para não ser questionada ela dá um sorriso, faz um comentário engraçado e com seu jeitinho de sempre, acaba desviando o assunto. Ela sempre faz isso. E ninguém percebe.
Ela já não sente mais vergonha, não fica mais chocada, não tem papas na língua, apesar de hoje em dia mais querer ouvir do que falar. Ela prefere ficar na dela, ouvindo, rindo e tentando ser o menos triste possível, pelo menos na frente dos outros. Não quer que sintam pena dela, não quer ser a coitada da vez.
E quando ela consegue encontrar alguém pra ela? Ela desistiu de procurar e deixou na mão da vida. Sempre encontramos alguém na contramão. E em um encontro desses, algo pode acontecer. Ela já não sonha mais com alma gêmea, se diz realista. Na verdade, seus sonhos que morreram, e ela está seca por dentro. Mas jamais vai assumir.
Apple quer sempre parecer forte, por mais que seja mais frágil que um copo de cristal. Ela não vai assumir que precisa das pessoas que a cercam. Nunca vai assumir que não quer ficar sozinha. Mas mesmo achando que não tem mais chance com o mundo, ela tem esperança. Sonha acordada. Sonha dormindo. Não importa o que faça, seus pensamentos estão sempre longe, lá onde ela ainda tem esperança de chegar. 
E assim ela vai vivendo, sem ter o emprego, o relaciomanento e a vida dos sonhos. Mas tem amigos, tem apoio, e mesmo que ela não perceba, tudo isso tem sido suficiente para que acorde e continue vivendo cada dia, como se fosse o último.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Introdução à...

Em conversas com amigos, cheguei a seguinte conclusão: preciso de um curso intensivo de noção. Nem preciso explicar, a imagem é auto-explicativa (ainda não tenho certeza quando usar o hífen). E são só os itens que lembrei agora, existe muito mais que isso. Preciso montar esse curso, patentiar e vender! Imagina se estou perdendo a oportunidade de ficar rica assim! Podem existir mais de mim por aí!

sábado, 6 de junho de 2009

Apple: Sono Tranquilo

Enquanto dirigia até o cinema, Apple ficou pensando sozinha, quando ela faz algo de errado, dorme tranquilamente, e quando faz algo certo, perde o sono. Que consciência é essa que apita dentro dela quando não faz nada ilegal ou imoral? Para quando mente, um sorriso irônico e a impressão de não ter feito nada demais, como se tivesse programada. Para ocasiões onde diz a verdade, uma pontada de culpa que invade o pensamento.
Se uma amiga, acima do peso, pergunta "Estou gorda?", se responder que sim, se sentirá culpada, se responder que não, fará sua amiga feliz, e receberá um sorriso em troca da mentirinha inocente. A lei da recompensa. Mentir = Sorriso, Verdade = Choro. Isso vem com ela de berço. Seus pais lhe ensinaram ser assim, e ela continua com esse jogo de inversão de certo e errado.
Descia do carro no estacionamento pensando na desculpa que daria para seu atraso. Ao invés de dizer que ficou enrolando para sair, por causa do frio, pensou em colocar a culpa no trânsito, no portão do condomínio que não abria, qualquer coisa, que transferisse a sua culpa. Mentir ficou mais fácil, por mais que isso lhe custe gastar muito tempo pensando na mentira.
Contando a verdade, sua amiga pensaria que ela não queria lhe encontrar. A mentira é mais tentadora. Após o cinema ela irá voltar para casa, e dormir tranquila, consciência limpa, apesar de tudo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Apple: Feriados.


Apple não entende feriados religiosos. Não comer carne, jejum... Nada disso faz sentido para ela. Sua criação foi negligenciada por seus pais em diversos aspectos, e a educação religiosa foi um deles. Não foi batizada em igreja nenhuma, nunca foi a uma missa, nunca viu um padre e tão pouco sabe o que se conta na biblía, se nunca a leu.
Quando há um feriado na semana, ela sabe que não irá trabalhar, mas não sabe o motivo. Sete de setembro, vinte e um de abril ou dez de abril. São apenas datas, dias que sabe que pode se programar para viajar, ou para ficar mais tempo só em seu apartamento.
Acostuma-se a dizer "vá com Deus", "Deus me livre", "aí meu Deus", mas ela só fala da boca pra fora. A vaga idéia de Deus que ela possa ter é de um senhor, que teve um filho que foi crucificado, e só. Dizem que ele fez a terra e tudo que há nela. Mas Apple lembra-se de ter aprendido na escola sobre evolução.
No natal ela sempre esperou por um presente, na páscoa por um ovo de chocolate, e não vê mais significado do que isso. Na semana santa come-se peixe, mas ela não gosta de peixe. Come o que então? Como ela não vê sentido, ou tão pouco significado, ela come o que quiser.
Também não sabe porque escrever "Deus" com "D". Ela imagina que por respeito, já que é como uma pessoa mais velha, bem mais velha que todas as pessoas.
Apple não sabe quem ao certo foi Jeová, Maomé, Jesus, Buda ou qualquer outro personagem importante em diversas religiões.
Ela vai continuar ganhando ovos de páscoa, e presenteando seus amigos, como assim fazemos até hoje quando é aniversário de alguém. Se natal é aniversário de Jesus, porque quem ganha presente é a gente? Tem coisas que não fazem sentido...
Não importa para ela o porque. Apple já perguntou diversas vezes o motivo de feriados assim, e como não significa nada para ela, como é irrelevante, ela sempre esqueçe. Então parou de perguntar.
E se alguém diz para ela "vá com Deus", ela responde "fique com ele", sem nem saber porque. Apple vai curtir o feriado, sem importar mais nada.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Apple!


Gostaria de lhes apresentar uma pessoa que volta e meia estará por aqui. Seu nome é Apple, uma personagem de um conto meu que não foi adiante, mas tenho muita simpatia por ela, e postarei aqui alguns de seus textos:

Diamantes
" Compre um diamante! Visite seus pais! Seja normal!Quem não quer? Importa se alguém não quiser ser? Apple acorda todos os dias desejando que o mundo tenha mudado, que não seja feio não decorar datas de aniversário, que não haja problemas em não devolver a pergunta "como está você?".
Há problema em não ter interesse pela vida alheia? Apple acorda hoje pensando em quantas mentiras ela terá que contar até o dia terminar. Marcou de sair com as amigas porque essas não paravam de insistir em "curtir a noite". Ou elas saíam, ou iríam em sua casa. Fingir na rua ela consegue, em casa não. Elas cobram que ela faça mais parte de suas vidas...
Para Apple basta saber que elas estão vivas e bem. Se não estiverem, para tudo existe remédio. Ela não é fria, ela só não gosta de futilidades. Para coisas importantes, atenção. Para frivolidades, descaso.
Mas não basta querer um anel de diamante para ser normal. Se você não gosta de jóias: estranho. Se não liga para os amigos: estranho. Se não fala frases prontas quando encontra pessoas que não vê a muito tempo, como "e ae, como vai? Casou? Fez faculdade? Tá trabalhando na sua área?": estranho.
Se Apple fizer tudo o que um normal faz, ela estará fingindo, e não é ato de fingir que é estranho? Ela veste sua máscara de sorriso, já que se você não sorri, é sinal de algo errado, e todos virão lhe perguntar o que há! Ela não estará disposta a responder, e lá vai ela fingir: está tudo bem!
Ela passa seu baton, escolhe a sombra dos olhos de acordo com a roupa que separou. Após o café, vai até o estacionamento. Respira fundo e diz para si mesma: Vamos lá!
Todo dia é uma atuação, uma diferente da outra. Cada dia Apple descobre novas máscaras, e ela nem sabe mais qual é o seu verdadeiro rosto. Talvez só quando está em casa, sozinha, quieta, que ela é ela mesmo. Não está quieta porque está triste, só está querendo paz.
No fundo Apple sabe que só está esperando o circo voltar na cidade, para rir de verdade.